quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Consulta psicografada


"De todas as lembranças das quais ria
Era dele, naquele dia
Um outro querendo o OutrO
E o OutrO querendo sempre mais

Avancei sobre tOdOs, só tinha
OlhOs pro cara parado, na esquina
Tropecei e deparei-me perante um aparente 
Angustiado rapaz

Por que você chora, qual a intriga
Não houve resposta, não ouve a rima
Inesquecível, cena linda
Mas que agora descanse em paz."


"Opa, acabou a consulta. Nos falamos semana que vem."

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tantantantantantã, o funk das gatas que miam au au

Eu vou pagar 4x
Você
Eu vou pagar
Pagar pra ver

Eu vou pegar 4x
Você
Eu vou pegar
Pegar pra ter

Vou apagar 4x
Você
Vou apagar
Pagar pra ver

Tam ram tam tam 3x
Tantantantantantã

Eu vou pagar
Pagar pra ver
Tam ram tam tam 3x
Tantantantantantã

Vou apagar
Pagar pra ver

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aborto

"Eu acho que não vou conseguir amar-te." Depois dessa frase mais nada ela ouvia, uma esposa de anos que viraram décadas que eram jogadas fora como copas fora o foram, ora bolas, por que, se nunca o traí, indagar-se-ia, se nunca o maltratei nem lhe fui negligente naquela vida, logo eu que jurei amor eterno, inclusive na doença que o assola, esse filho de uma rapariga, mas não tinha mais o que falar, Inês já estava morta e vazia. Levantou-se, escreveu um bilhete que talvez, quem sabe, eu o publique um dia, beijou a bochecha rechonchuda da sua formosa filha, que delicadamente dormia, e lavou o restante de louça sem se importar que já não mais havia pia. Enforcou-se sem dizer adeus a ninguém, sem soltar um pio. Mal se atentou para o fato do seu marido ser astronauta. A missão a Marte fora abortada.
  

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sinais Vitais


Primeiro foram-se os sinais gráficos, os subjetivos e os rígidos, pontuais ou talvez arbitrários, por pura rebeldia, gírias atirando-se da ponte como se fugissem dos dicionários, que nem peixe se jogando do aquário, e por último os sinais vitais, gata castrada que misteriosamente entrava no cio. Os pontos, das vírgulas e os definitivos, não finalizavam mais nada que iniciavam e iam caindo na avalanche vazia de incertezas de círculos e semicírculos e deuses e semideuses, por isso o plano cartesiano deixou de funcionar. Daí pra frente foi um pulo pra reticências, junto com dois pontos, os pingos nos is e o trema, que trazia consigo o injustiçado u, contra-atacarem ao prenderem os fonemas que gradativamente ficavam nus e imundos, consumidos com a angústia de saberem que o infinito é um um pico pro homem, um planeta pra formiga e um ponto pro gigante que, por não poder fazer mais nada do que nadar a favor da corrente, fugiu com a voz, alô, alô, som, som, um, dois, três, falhando, falhando, talvez então seja por causa disso que não saiu um mísero e esquálido grito dedilhando as cordas vocais na sua garganta, um ahhhhh mudo, o que por sua vez explica por que sua visão sumira há tempos de vista, mal sabendo que logo após seria a audição a acertá-lo bem surdo em peso bem feito em cheio no meio do peito. Isso mesmo, mais um pouco e você estará quase livre.
Bastam agora apenas alguns míseros sinais vitais.

bem surdo
em peso
bem feito
em cheio
no meio
do peito

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O pOvO e o pOucO


O pOucO que escolhe 
É o pOucO que me tira
4x
O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOucO

O pOucO, quem escolhe
É o pOucO quem me tira
4x
O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOvO

O pOvO é quem escolhe
É o pOvO quem me tira
4 x
O pOvO
O pOvO

O pOvO
O pOvO

O pOvO
O pOvO

O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO quem me tira 
4 x

O pOvO!
O pOvO!
O pOvO!
O pOvO!
O pOvO!
O pOvO!

O pOucO que escolhe
É o pOucO 
Que mentira
4 x

Que mentira
Que mentira 
É o pOucO que me tira

Que mentira, que mentira 
Que mentira
Só o pOvO quem me tira

Que mentira, que mentira
Que mentira

Só o pOvO que me tira

O pOucO que escolhe 
É o pOucO, que mentira
4x

O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOucO

O pOucO
O pOucO

O pOucO
pOucO

Quem escolhe
É o pOvO que me tira, que me tira
É o pOucO que me tira, que mentira
É o pOucO que me tira, que mentira
É o pOucO, que mentira

O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO que me tira
4 x
O pOvO
O pOvO

O pOvO
O pOvO

O pOvO
O pOvO

O pO-vO!

O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO que me tira
O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO que me tira
O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO que me tira
O pOvO é quem escolhe
Não é o pOucO que me tira
Que mentira
Não é o pOucO quem me tira
Que mentira
Que mentira, que mentira
Mentira
Só é o pOvO quem me tira
Que mentira, que mentira
Que mentira, que mentira
Só é o pOvO quem me tira