quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ocupa tudo!


Um salva de palmas à ocupação dos meninos do recente Brazil, desse que querem que escrevamos com zê mostrando uma natureza vil e serviu daqueles que usurparam o poder querendo agora submeter o povo que o sustenta ao retorno da escravidão, uma salva de palmas pra essa galera que teve aula de história e filosofia por treze anos e que está simplesmente lutando como tantas Anas Júlias e Lucas Mota estiveram, estão, e estrarão pelo presente ameaçado e por um futuro que não se concretizará somente daqui à vinte anos, ele é pra já, é pra sempre, pra ontem, é pra amanhã, e sabemos que dinheiro há na sétima economia do mundo, o mar está farto de peixe, dono do barco não quer distribuí-lo, egoísmo é tão intenso no peito dos nossos privilegiados que de tão tenso corrói a harmonia pra convivência e sobrevivência que é extremamente necessária pra existência e acabam culminando com o inverso disso, e a a violência será o reflexo disso, o extremo oposto da opulência, e continuará sendo mostrada na tv pelos atores que atuam sendo ótimos repórteres como se eles não tivessem nada com isso ao lavarem suas mãos pra desfaçar que nunca as tiveram sujas, afirmam ser apenas o efeito colateral para um bem necessário, com menos gente, maior a mordomia, o repórter assim o dirá quase que sorridente, se os eliminarmos sobrarão mais peixes pra cada gente, reparem só, gente, falamos de peixes ou de gentes, aumentamos os muros e também os impostos, os gastos serão evidentes, estarão à frente, postos, mas não as criarão sobre as grandes fortunas, o segredo em ser convincente é mostrar a verdade que há em cada olhar e é essa falta de boa vontade de quem apoiou o golpe que se afasta não metendo a colher aonde não é chamado pra que não saibam onde realmente fica o estoque das drogas ilícitas que empregam os marginalizados num dos últimos recursos que estes têm para serem verdadeiramente bem remunerados, fecham-lhes das universidades as portas, tudo com o deboche levado a sério de gente suspeita, que lava dinheiro na proibição de comércios tão lucrativos como os das drogarias ilícitas, aquela cuja dispensação não é feita por um profissional farmacêutico, porque se fosse seria a empresa a sair com a maior fatia do lucro, ficaram-se com os profissionais com os diplomas que concede-se na favela com o preço da vida a pagar, bem curta, mal educada e tolhida, já que abastecer os adultos e seus filhos crescidos do asfalto, usando-as apenas como forma de diversão, é um negócio tão disputado quanto inseguro, e junto com a omissão vem o estado geral de desânimo e letargia onde vemos grandes fortunas sendo acumuladas e desviadas sem pudor perante os sites e bloggs que nos salvam ao sabermos o que a mídia sempre omitiu e omitirá, ela é a porta-voz deles, é a ferramente eficientemente fizeram pra influenciar um monte de gente, basta perguntar à mãe do ladrão se ele realmente presta, e corruptamente fecharão os OlhOs ao pOvO assim como alguns de nós desviamos ao passamos por uma criança dormindo com sua família à deriva sem a dignidade que um barco atracado ainda não tem, temos inúmeros e imensos solos naturezas e pescado, e a violência a que falávamos dará, invariavelmente quando qualquer bicho é posto em situação extrema, luta-se por sexo, comida e território, mas aí incluímos na tríade o dinheiro, e quem o tem e o vê tomado não vai se importar que estejam matando gente, porque  tempo para desamarem-se e armarem-se até os dentes a fim de terem seus pontos de venda de drogas disputados à bala com a cena sendo dita e transmitida com um sutil sorriso amarelo quase imperceptível de conivência e superioridade do âncora do telejornal que consternado acredita não ter nada melhor para oferecer a esses jovens que taxam como vândalos mas que apenas não querem ser obrigados a cometerem aqueles ou outros menores crimes para tentar sobreviver eles têm, só não têm vontade, como eu disse, de ajudar, dói muito perder privilégio, como empregarão empregadas domésticas que não poderão estudar já que também fecharam-lhes a cara na porta da oportunidade, meritocracia, o repórter diz comprovando o que está fingindo, é por isso que ocupam, pra poderem estudar, e num revés inexplicável parece que mudou o ponto de vista, no ponto diziam, não insista, não insista, esse povo é sofrido porque quer ser, não insista, não insista, e para que as leis que os cercam e secam e impossibilitam de competirem conosco de igual pra igual sejam aprovadas precisamos da ajuda dos nobres colegas senadores e deputados que representam esse pessoal que não podemos dizer não serem eficientes, apesar de não sinceros, bala perdida se encontra bem mais onde a violência impera, e será pra elas, as que lutam como se não houvesse um amanhã, porque ele está seriamente ameaçado, por elas que peço uma salva de palmas, é contra essa gente má e egoísta que lutamos pondo fogo no início do túnel de trevas que querem lhes empurrar porão abaixo com todo o retrocesso indigesto e amargo que tentam impor ao retirarem aquilo que é fruto de uma boa educação e que quando se está conquistado ninguém jamais consegue tirar, que é o conhecimento.





Ocupa!


Ocupa tudo porque tudo é teu
Ocupar por se preocupar
Preocupa teu futuro, presente
Ocupa porque querem de ti arrancar
Do passado, pra que não tenhas história
Desocupa tu do meu saber
Meu presente eu faço agora
Não te desculpo
Ocupando é que vamos vencer!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Cinzas não geram fogo

Faz de conta que homens passassem por ele e passassem a mão no seu pau semi-rígido enquanto tocava aquela música; faz de conta que ele tenha entrado numa cabine com cheiro de sexo impregnando-a por todos seus quatro curtos e escuros lados e que o filme que passava não passasse de um pornô barato; faz de conta que tenha fechado a porta atrás de si sem que nenhum dos homens ousassem segui-lo; faz de conta que tenha dançado.
Faz de conta que paus semi-rígidos passassem em você, pelado, enquanto você passava; faz de conta que a música importava mais que isso e que você tenha entrado só numa cabine só pra dançar; faz de conta que nenhum homem ousou segui-lo.
Faz de conta que o homem passou por mim e eu passei o pau semi-rígido nele; faz de conta que, só, ele dançava numa cabine de foda; faz de conta que dançava só, e que era foda; faz de conta que eu não o segui.
Faz de conta que cinzas geram fogo. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Azar ou sorte



Com um sol intenso e um céu sem nuvens ele mergulharia pela primeira vez desde que ali chegou naquelas águas refrescantes de uma praia cheia por causa do feriado e do clima propício. Como havia esperado mais de uma hora seu amigo sentado numa cadeira sob um guarda-sol amarelo e tomando suas latinhas de cerveja já não tão geladas como quando foram trazidas, acho que era a terceira, assim que ligaram dizendo terem atravessado a praça e que estavam se aproximando ele acendeu rapidamente um baseado que guardara no bolso da bermuda e deu uma longa tragada final depois de quatro puxadas anteriores. Ao tocarem no seu ombro esquerdo uns 15 minutos depois ele viajava curtindo uma música muito foda e mirava o horizonte azul e verde emoldurado por um belíssimo contorno montanhoso da região assim como por aquelas pessoas que zanzavam umas pelas outras em trajes de banho minúsculos à vontade com seus corpos irradiados, todas com suas peles bronzeadas e seus gingados gOstOsOs a compor o ímpar ambiente, e assim que foram feitas as devidas saudações com um abraço automático, um beijo carinhoso no rosto, um olhar trocado bem próximo como se fossem mais do que somente amigos e quase dez dúzias de meias palavras ditas depois foi nosso personagem caminhando em direção à água para banhar-se uma vez que parecia mesmo que estava derretendo. Acontece que o mar era revolto naquele dia e as fortes ondas arrebentavam bem próximas da areia de tempos em tempos gerando uma intensa correnteza que jogava de lado e puxava pro fundo como um balde que impedimos vazar por completo e o líquido remanescente volta rapidamente para o interior do recipiente, polícia trazendo de volta prisioneiros, e foi posto no chão por uma como se fosse uma formiga sendo carregada quando a torneira acima é aberta. Se alguém fosse mais observador lá da areia, mas parecia que mesmo que o fosse só se focava no que havia ao redor, é normal pelo alcance da visão, e talvez por isso via apenas a filha que  brincava na poça fazendo castelinho com a pá, ou então pro menino todo esfuziante que empinava a pipa com a ajuda do avô, mas podia ser também que fosse a visão do namorado enciumado por conta do rebolado esfuziante da sua mulata que caminhava como se desfilasse, mal ele sabendo que ela amava mais a visão que formava do qualquer um dos donos dos olhos que a viam, ou talvez alguém estivesse apenas preocupado com o grupo suspeito de meninos magros e pálidos e quase todos pobres e pretos mancomunando correrem até a água para pregarem um baita susto em banhistas mais precavidos que rapidamente recolheriam seus pertences com a desculpa de que a maré estava subindo mas que na verdade fugiam de um provável arrastão, pode ser que o alvo de atenção da menina que jogava altinho com seus amigos e deixou a bola cair para comprar esfirra e mate gelado fosse, nesse momento, mais importante, e por isso foi que ninguém percebeu o risco iminente que se cada um deles tivesse desviado seu olhar por um breve momento pro mar, mas o fato é que não perceberam o risco iminente a que aquele homem corria, tanto que nem seu recém-chegado amigo o conseguiria, já que sua localização assim o impedia, e quando a onda, de supetão, o nem nós, se fôssemos exímios nadadores, daquela situação sairíamos, e diferente dos outros personagens mais distantes para quem a rajada de vento não passava de uma bem vinda e agradável brisa, achou-se ele no meio do olho do furacão ao acontecer em poucos segundos tudo, e não se passaram talvez nem mais do que seis míseros minutos, sublinhando-se aqui que esse tempo tinha um peso totalmente diferente do que era contado pro cara que naquele exato momento em uma sala de aula do bairro vizinho deparava-se desesperado olhando pros ponteiros do relógio de pulso ao constatar que lhe restavam pouco mais de cinco minutos pra resolver o problema de raciocínio lógico a sua frente e que poderia lhe garantir a conquista daquela almejada vaga no cargo público ao qual concorria, e quando as forças o abandonaram, assim que seus braços pararam de bater, dizem serem as pernas as últimas, depois de determinado momento só a cabeça aparecendo pra fora d'água se olhássemos veríamos, provalvemente polpando energia ao respirar com a boca aberta e um olhar desesperado de alguém que sabe que seu fim se aproxima, aquela hora onde passa um filme na cabeça de cada um, que é ao mesmo tempo seu personagem principal, o roteirista e o diretor, e se assistíssemos a esse filme ele neste momento seria angustiante, e o clamor a um deus que ele não cria, dos amores a quem sentia, das coisa que viria a conhecer, dos encontros e desencontros que iria ter, conquistas e realizações que queria fazer, dessas provavelmente ele não iria viver, e mesmo que filmássemos tudo com uma câmera potente não conseguiríamos saber, como não se sabe até hoje, se seus olhos salgaram-se mais pela água do oceano ou era a água do oceano que se tornava mais salgada por causa das suas lágrimas numa ironia do destino onde aquele que mata já começa a ter a posse do que se está matando, até que uma outra onda mais forte veio vaio sobre ele e o lançou para próximo de banhistas abusados que se arriscavam pegando jacarazinho pouco mais à frente fazendo com que seu dedão direito do pé esquerdo finalmente tocasse em um banco de areia ao qual ele se agarrou como se fosse ferro agarrando-se a um ímã dando-lhe, portanto, esperanças e forças remanescentes para que se apoiasse em suas pernas e caminhasse pra terra firme onde, ao chegar, caiu sentado perto de um senhor que dormia de barriga pra cima que, ao abrir um dos olhos para entender o que estava acontecendo, constatou um estranho estatelado ao seu lado, além de exausto, que logo após levantou-se e berrou agradecendo a vida nova que daí pra frente viveria. O cara deitado sentou-se; ao compreender o que acontecia ficou pensando que queria ele estar no lugar do outro, afinal, tinha ido ali pra fazer exatamente o que há pouco, provavelmente, e sabemos que sim, pra ele acontecia. Na noite passada, quando em casa chegava de um dia cansativo de trabalho, ele havia decidido se matar. Bebeu muito da cachaça de guardava debaixo da pia e adormeceu com essa ideia fixa na cabeça, era a única e última forma de acaber com as questões financeiras que tanto lhe afligiam, assim como a saudade de mulher que o traiu e abandou levando seus três filhos que não ligavam jamais desde então pra ele. Cinco anos não são pra qualquer um. Levantou-se de madrugada, arrumou-se, pegou a carteira, a chave do carro e o celular, e foi à praia pra nadar pela última vez. Chegou muito cedo, as ondas não batiam ainda; decidiu esperar por isso. Aproximou-se do funcionário do quiosque que passava um pano úmido nas mesas de madeira e perguntou se havia pinga, e pra sua felicidade havia. Bebeu-a. Pediu mais uma, duas, cinco outras doses; comprou um latão de cerveja, um cigarro a varejo, acendeu-o, caminhou até a beira d'água e ali sentou-se confortavelmente. Terminou de beber a cerveja e fumar o cigarro; pigarreou. Como havia ficado tonto, deitou e apagou; acordou agora, com alguém caindo ao seu lado. Levantou-se após ir embora aquele estranho intruso, foi pra casa descansar. Pode ser até que tenha desistido de morrer, deixava encarregado pro tempo isso, ou vai que não, que no dia escolhido resolveu não beber pra não estragar o plano e o concretizou. Pode ser que sim, pode ser que não, mas a certeza, infelizmente, não teremos. A vida se resume nisso, é uma questão de azar ou sorte.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

1, 2, 3.

1 dente
2 dentes
3 dentes
Nem tente
Vc está doente
Esvazie sua alma
Entorpeça sua mente
É titânio virando ouro
É dinheiro substituindo gente
Implante, aguente
Tempestade em cOpO d'água
Só acaba se sorridente
Sem riso vou sorrindo
Sem grana vou seguindo
Sem graça e sem dente
1 dente
2 dentes
3 dentes
Nem tente
Esvazie sua alma
Entorpeça sua mente

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Festa de despedida: A música que não estava tocando


Tem na esquina
Tem no altar
Tem pr'onde tudo se vê

Na sua casa
O seu telhado
Tem vidro veem você

Não adianta
Tanta palavra
Quero ver acontecer

Pode dar certo
Ou dar errado
Basta que queira fazer

E crê
Crê em você
Que vai 
Você vai ter
Que andar 
Pr'algum lugar
Se do lugar 
Quer se mover 

Nada importa 
Da vida alheia
Ligue-se só em você

Perde o tempo
Perdendo as horas
E é você a perder

Quero saber
O que vai ser
Da sua vida
Quero saber
Vou procurar
Pode esconder
Mas vou achar
Vou recolher

A liberdade
Vontade própria
Auto-estima pra quê

Ganho meu tempo
Perdendo as horas
Mas só sou eu a perder

Tem na esquina
Tem no altar
Tem pr'onde tudo se vê

Na sua casa
O seu telhado
Tem vidro veem você

E crê
Crê em você
Que vai 
Você vai ter
Que andar 
Pr'algum lugar
Se do lugar 
Quer se mover